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Considere ativos internacionais para proteger contra volatilidade local

Considere ativos internacionais para proteger contra volatilidade local

29/11/2025 - 05:12
Matheus Moraes
Considere ativos internacionais para proteger contra volatilidade local

O mercado brasileiro tem enfrentado desafios significativos em 2024 e 2025, com oscilações intensas que afetam diretamente investidores de todos os perfis. A alta persistente da inflação, pacotes fiscais controversos e a taxa Selic elevada elevam o risco Brasil e a instabilidade cotidiana.

Esse cenário incerto faz com que muitos investidores busquem alternativas capazes de reduzir a dependência de fatores domésticos. Uma das estratégias mais eficazes é alocar parte dos recursos em ativos internacionais, criando uma proteção cambial e diversificação geográfica para o portfólio.

Contexto da Volatilidade Local

Em 2025, o Ibovespa apresentou quedas consecutivas e momentos de intensa volatilidade, resultantes de choques políticos, revisões fiscais e fluxo de capital estrangeiro em retirada. A despeito de casos pontuais de ações que dobraram de valor, como algumas small caps, a maioria do mercado sofreu retrações bruscas.

Adicionalmente, o real mostrou-se vulnerável a flutuações externas, ampliando o impacto das crises políticas e econômicas. A desvalorização cambial repercute no poder de compra de brasileiros e reduz ganhos em investimentos locais.

Setores ligados a commodities também oscilaram: o petróleo chegou a cerca de US$ 70 por barril após tensões geopolíticas, enquanto o agronegócio sentiu impactos das políticas comerciais internacionais.

Por que Investir em Ativos Internacionais?

Alocar recursos no exterior traz múltiplas vantagens para quem busca estabilidade e retorno ajustado ao risco. Entre os benefícios principais, destacam-se:

  • Proteção cambial natural contra a volatilidade do real
  • Diversificação geográfica reduz riscos específicos
  • Acesso a setores inovadores em mercados desenvolvidos

Os ativos dolarizados funcionam como um hedge natural contra desvalorização cambial, mantendo o valor do patrimônio em momentos de crise local. Além disso, a baixa correlação entre ativos brasileiros e internacionais cria um efeito amortecedor.

Investir em mercados como EUA e Europa permite exposição a empresas de tecnologia, biotecnologia e energia limpa, oferecendo oportunidades de crescimento em mercados desenvolvidos não disponíveis no Brasil.

Dados históricos comprovam que uma carteira global tende a apresentar portfólios mais eficientes e resilientes, com menor volatilidade e melhores retornos ajustados ao risco no longo prazo.

Formas de Acesso aos Mercados Internacionais

Existem diferentes caminhos para investidores brasileiros ampliarem a fronteira de investimentos:

  • BDRs e ETFs listados na B3
  • Corretoras internacionais com acesso direto a ações e fundos
  • Fundos de investimento globais oferecidos por bancos e gestoras

Cada modalidade possui custos, regulamentações e requisitos específicos. Por exemplo, os BDRs são negociados em reais e simplificam o processo burocrático, enquanto uma conta em corretora no exterior pode demandar abertura de conta internacional e remessa de recursos.

Já os fundos globais, administrados por especialistas, oferecem gestão profissional e diversificação imediata, mas podem ter taxas de administração mais elevadas.

Riscos e Atenções Necessárias

Embora atrativos, os investimentos internacionais não são isentos de riscos. A exposição cambial pode gerar perdas se o dólar se desvalorizar em relação ao real. Além disso, mudanças regulatórias e crises em outras economias podem afetar o desempenho dos ativos.

É importante avaliar características de cada investimento, como liquidez, custos de custódia e tributação. Montar uma estratégia abrangente inclui definir metas claras e horizontes de tempo, e revisar periodicamente as posições.

Comparação de Classes de Ativos Internacionais

Recomendações Práticas para Investidores Brasileiros

Para começar, determine a parcela de seu portfólio que vai para o exterior. Especialistas sugerem entre 20% e 40%, dependendo do perfil de risco. Em seguida, diversifique entre renda fixa e variável, considerando o uso de ETFs para simplificar a administração.

Adote uma estratégia de alocação periódica (dollar-cost averaging), enviando recursos de forma constante para diluir o risco de momento. Monitore indicadores como a variação do real e a curva de juros dos EUA para ajustar a exposição cambial.

Por fim, mantenha-se informado sobre mudanças regulatórias e oportunidades emergentes em setores de ponta. A alocação global deve ser parte de um plano financeiro bem estruturado, alinhado a objetivos pessoais e horizonte de investimento.

Perspectivas de Longo Prazo

Olhar para além das fronteiras é fundamental em um mundo cada vez mais interconectado. O Brasil continuará sujeito a ciclos de instabilidade, mas um portfólio global oferece acesso a setores tecnológicos exclusivos mundiais e maior estabilidade ao longo do tempo.

Investir no exterior não é apenas uma proteção, mas também uma oportunidade de participar do crescimento de economias desenvolvidas e emergentes fora do Brasil. A adoção dessa estratégia, aliada a disciplina e gestão de riscos, pode transformar a performance de qualquer carteira.

Matheus Moraes

Sobre o Autor: Matheus Moraes

Matheus Moraes